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18 de outubro de 2009

Pensamento da Semana

“Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. (Mas poucas se lembram disso).” Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho

POEMA da SEMANA

O "Poema da Semana" desta semana é dedicado às meninas e aos meninos do 5ºano que continuam "À Descoberta da Biblioteca".


Não saibas: imagina...

Não saibas: imagina...
Deixa falar o mestre, e devaneia...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.


Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões...
Um a-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...
Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorria!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias da fantasia...


Miguel Torga

16 de outubro de 2009

Adriano Correia de Oliveira

Adriano Correia de Oliveira morreu a 16 de Outubro de 1982, mas a sua voz não se calou. Recordámo-lo num poema de exílio e resistência de Manuel Alegre, “Trova do Vento que Passa".

Investimento inteligente

Diego Valeri é um jogador de futebol diferente. Adora ler. O seu passatempo preferido é ler. Anda sempre com livros e quando tem tempo lê sempre. A sua alcunha?
Chamam Bibliotecário a Valeri. O médio argentino gosta de ler e um jogador de futebol que gosta de ler é mais ou menos como um intelectual que cruza bem com o pé esquerdo: uma raridade. Os mais apressados dirão que ler não lhe garante nenhuma vantagem quando tem de fazer um passe, ou quando precisa de driblar um adversário, ou quando é preciso assistir um companheiro, ou, até, quando se impõe rematar, mas tenho para mim que os melhores jogadores são sempre os mais inteligentes, os que para além da técnica e do físico, têm a imaginação suficiente para adivinhar caminhos onde os outros só conseguem ver obstáculos. E se é preciso treinar os músculos para que eles se desenvolvam, é preciso treinar o cérebro para que ele não atrofie, para que não se atrapalhe perante os obstáculos e para que seja capaz de fintar os problemas. Sim, um cérebro habituado a trabalhar pode ser muito útil até para um jogador de futebol e é por isso que o FC Porto insiste que os jogadores que estão na Casa do Dragão tenham aproveitamento escolar. Por isso e porque o cérebro envelhece mais devagar e o futebol não dura para sempre...
Jorge Maia (jornalista), in O jogo,
de 13 de Outubro de 2009

15 de outubro de 2009

Recordar Manuel da Fonseca

Digam à minha neta! Digam que ela tem razão!..."Um homem só, não vale nada." (Manuel da Fonseca)


Hoje é dia de recordar Manuel da Fonseca, um dos valores inquestionáveis da literatura portuguesa. Nasceu em Santiago do Cacém, a 15 de Outubro de 1911, e morreu em Lisboa, em Março de 1993.
Poeta, contista, romancista e cronista, alentejano de alma e coração, fez da escrita uma arma de intervenção política e social: «Escrevo por ser do contra, por ver nas palavras um berro humano».
A sua obra, tanto a poética como a narrativa, é um grito de protesto e revolta contra os opressores e um apelo à solidariedade para com os mais desfavorecidos e à fraternidade universal.



Ansiedade

Quero compor um poema

onde fremente
cante a vida
das florestas das águas e dos ventos.

Que o meu canto seja
no meio do temporal
uma chicotada de vento
que estremeça as estrelas
desfaça mitos
e rasgue nevoeiros — escancarando sóis!

Manuel da Fonseca, in "Poemas Dispersos"



RECOMENDAMOS E PODES LER NA BIBLIOTECA:

O Fogo e as Cinzas (1951) - um belíssimo conjunto de contos, envolvidos pela atmosfera típica da vida e das gentes do Alentejo - "terra bravia de fomes".

O LARGO
, um dos contos de O Fogo e as Cinzas, narra as inevitáveis transformações e o progresso que se instala com a chegada do comboio a uma vila alentejana: os ferreiros desceram a operários…, os homens separaram-se..., as crianças dividiram-se..., as mulheres cortaram os cabelos, pintaram a boca e saem sozinhas…

Começa assim:
Era o centro da Vila. Os viajantes apeavam-se da diligência e contavam novidades. Era através do Largo que o povo comunicava com o mundo. Também, à falta de notícias, era aí que se inventava alguma coisa que se parecesse com a verdade. O tempo passava, e essa qualquer coisa inventada vinha a ser a verdade. Nada a destruía: tinha vindo do Largo. Assim, o Largo era o centro do mundo.



De Manuel da Fonseca ainda podes ler na Biblioteca:
Aldeia Nova (contos), 1942
Tempo de Solidão (contos), 1973

11 de outubro de 2009

Pensamento da Semana

"O melhor do mundo são as crianças." Fernando Pessoa

Poema da Semana

O poema desta semana é dedicado às meninas e aos meninos do 5º ano que durante esta semana vão partir "À Descoberta da Biblioteca".




A Mão Cheia de Sonhos

- Raul,
Que trazes na mão fechada?
- Trago sonhos, professor,
Que respeito com muito amor!
Sonhos, que lindos que são.
São sonhos que trago na minha mão.

- Serão berlindes de vidro
Ilusão de encantar?
- Deixa-me ver, Raul,
Eu também quero sonhar…

E abrindo os dedos,
Na palma da mão
Um grilinho empertigado
Ajeitou-se e cantou a canção:
Grigri! Gigri!

- Oh! São sonhos, Raul,
Lá isso é que são,
São sonhos que trazes na tua mão.


Armindo Reis, A Mão Cheia de Sonhos

10 de outubro de 2009

A Maior Flor do Mundo

“E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”
José Saramago, in A Maior Flor do Mundo

Em maré de Prémio Nobel, apetece recordar o nosso, o último (só tivemos dois…), José Saramago, Prémio Nobel da Literatura - 1998, num livro delicioso: A Maior Flor do Mundo. A Maior Flor do Mundo conta a história de um menino que salta de “árvore em árvore como um pintassilgo” e que faz nascer a maior flor do mundo. Começa assim:

“As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas. Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender e tenho pena. Além de ser preciso escolher as palavras, faz falta um certo jeito de contar…”.

O livro termina com um desafio: “Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?...”

E tu, não queres ler este livro fantástico? Aparece na Biblioteca que ele lá está, à tua espera, à espera que vás descobrir toda a aura de beleza e poesia que o envolve.

A curta-metragem de animação que apresentamos foi adaptada do livro, A Maior Flor do Mundo, e conta com a voz do próprio Saramago. É pena que seja em espanhol...


9 de outubro de 2009

Jonh Lennon

Jonh Lennon nasceu a 9 de Outubro de 1940... Ouçam e não digam que não gostam!

Barack Obama - Prémio Nobel da Paz, 2009


O mundo recebeu hoje, com surpresa, a notícia da atribuição do Prémio Nobel da Paz, 2009, a Barack Obama, presidente dos Estados Unidos da América.
Segundo a Academia, Obama foi premiado pelo «extraordinário esforço» no «fortalecimento da diplomacia» e para a cooperação internacional. “Enquanto presidente, Obama criou um clima diplomático multilateral e recentrou o papel da Nações Unidas. Ele privilegia o dialogo e as negociações para resolver os conflitos mais difíceis”.
BaracK Obama, que também ficou "surpreendido" com a distinção, declarou: “Não sinto que mereça estar na companhia de tantas figuras transformadoras que foram honradas por este prémio”. Pois, então, faça por merecer, Senhor Presidente, para que possamos passar da estupefacção ao aplauso!

Prémio Nobel da Literatura - 2009

Como tradicionalmente acontece na primeira quinta-feira de Outubro, a Real Academia Sueca das Ciências anunciou a atribuição do Prémio Nobel da Literatura, 2009, a Herta Mueller, escritora alemã de origem romena. A Academia justificou a sua escolha pela “densidade da poesia e a franqueza da prosa” retratando o «universo dos desapossados».
Em Portugal foram publicados dois livros da autora: “O homem é um grande faisão sobre a terra” (Cotovia, 1993) e “A terra das ameixas verdes” (Difel, 1999).
Apesar de desconhecida do grande público, parece que os críticos dão por bem entregue o prémio.

7 de outubro de 2009

Dia Nacional dos Castelos

Por iniciativa da Associação Portuguesa dos Castelos, comemora-se hoje, o Dia Nacional dos Castelos.
Os castelos, testemunhos mudos da memória colectiva, constituem valorosa referência na construção da identidade cultural e histórica de um povo. Pena que alguns não sejam mais do que um amontoado de pedras, votados ao abandono por quem deveria, antes, esforçar-se por garantir que essa memória jamais seja apagada.
Convidamos-te, então, a fazer uma visita virtual a alguns dos mais emblemáticos castelos de Portugal.

5 de outubro de 2009

Para ti, Professor...

Uma página do Diário de Sebastião da Gama...

Cada vez me apetece menos classificar os rapazes, dar-lhes notas, pelo que eles "sabem". Eu não quero (ou dispenso) que eles metam coisas na cabeça; não é para isso que eu dou aulas. O saber – diz o povo – não ocupa lugar; pois muito bem: que eles saibam, mas que o saber não ocupe lugar, porque o que vale, o que importa (e para isso pode o saber contribuir e só contribuir) é que eles se desenvolvam, que eles cresçam, que eles saibam "resolver", que eles possam "perceber". (...) Diário, Sebastião da Gama




4 de outubro de 2009

Pensamento da Semana

"O homem é do tamanho do seu sonho." Fernando Pessoa

Poema da semana

O SONHO

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama

3 de outubro de 2009

OUTUBRO - Mês Internacional da Biblioteca Escolar

Em substituição do "Dia Internacional da Biblioteca Escolar", a IASL (International Association of School Librarianship) criou o "Mês Internacional das Bibliotecas Escolares" que é celebrado, desde 2008, no mês de Outubro de cada ano. "Bibliotecas Escolares: Um Panorama" é o tema proposta pela IASL, para este ano.

Como é habitual, a Biblioteca da nossa escola vai celebrar esta efeméride desenvolvendo um conjunto de actividades de entre as quais se destaca o “Bibliopaper – À Descoberta da Biblioteca”, em que participarão todos os alunos do 5º ano.

Aproveitem, então, este mês para conhecer melhor a nossa Biblioteca e descobrir tudo o que ela tem para oferecer.

1 de outubro de 2009

Dia Mundial da Música

Para ouvir e sonhar...

Provérbios de Outubro


Com a vinha em Outubro, come a cabra e engorda o boi.
Em Outubro sê prudente: guarda pão, guarda semente.
Em Outubro, centeio ruivo.
Em Outubro pega tudo.
Logo que Outubro venha, procura a lenha.

Outubro quente traz o diabo no ventre.
Outubro meio chuvoso torna o lavrador venturoso.
Outubro suão, negaças de Verão.
Outubro seca tudo.
Se em Outubro demorares a terra a lavrar, pouco hás-de enceleirar.
Outubro lavrar, Novembro semear, Dezembro nascer.
Quando o Outubro é erveiro guarda para Março o palheiro.
Outubro sisudo recolhe tudo.
Outubro, vaca para o palheiro e porco para o outeiro.
Em Outubro, o lume já é amigo.
Logo que Outubro venha procura lenha.
Em Outubro, semeia, cria e terás alegria.
Em Outubro, o fogo ao rubro.

28 de setembro de 2009

Pensamento da Semana

"Sem amigos ninguém escolheria viver, ainda que tivesse outros bens." Aristóteles, 384-322 a.C., filósofo grego.



Poema da Semana

Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».



«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!



«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)


«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.



«Amigo» é a solidão derrotada!


«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O’Neill,
in No Reino da Dinamarca

22 de setembro de 2009

Jorge de Sena regressou à Pátria



“Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de ter nascido nela.”

Três décadas depois da sua morte, o escritor Jorge de Sena foi sepultado no dia 11 de Setembro, no cemitério dos Prazeres, em Lisboa. A cerimónia de trasladação dos restos mortais do escritor, que morreu em 1978 nos Estados Unidos, decorreu na Basílica da Estrela e contou com intervenções da família, do ensaísta Eduardo Lourenço, do ex-presidente da República Ramalho Eanes, do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro. Para o ministro da Cultura tratou-se de "sarar uma ferida aberta pela ditadura".
Poeta, dramaturgo, romancista, crítico e ensaísta, Jorge de Sena nasceu em Lisboa a 2 de Novembro de 1919. Por razões políticas, partiu para o exílio, em 1959, vivendo primeiro no Brasil e posteriormente nos EUA. “Saímos para ele escrever sem pensar nos limites que lhe eram impostos”, como explica sua mulher, Mécia de Sena.

Um país de sacanas


Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.

(Jorge de Sena, in No País dos Sacanas -1973)

15 de setembro de 2009

Um novo ano lectivo

O início de um novo ano traz sempre novidades.
A biblioteca não foge à regra.
- Há uma nova equipa da Biblioteca Escolar, que vai ajudar-te nas tuas leituras e no teu estudo, que vai promover diversas actividades e que vai tornar o teu ano lectivo inesquecível.
- Este teu espaço vai ter a porta aberta muito mais tempo: das 8h. 30 às 17h. 30.
- E... já reparaste no novo "rosto" do blogue. Agora depende de todos que ele fique ainda mais bonito. Contamos com a tua colaboração!
- Queremos ter também um outro espaço na internet, com outras potencialidades. Brevemente saberás a morada.


Neste desabrochar do novo ano é natural que haja zonas escuras.
Estás preparado para as colorir?
Temos confiança na tua resposta positiva em cada dia!

17 de novembro de 2008

MÊS DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES: Exposição Sobre Dias Mundiais/Internacionais

20 de outubro de 2008

OUTUBRO - Mês Internacional da Biblioteca Escolar


Em substituição do Dia Internacional da Biblioteca Escolar, a IASL criou o "Mês Internacional da Biblioteca Escolar" que será celebrado no mês de Outubro de cada ano. Este ano, o tema será "Literacia e Aprendizagem na Biblioteca Escolar".
O Mês Internacional da Biblioteca Escolar permitirá aos responsáveis pelas bibliotecas escolares, em todo o mundo, escolher um dia, em Outubro, que melhor se adeque à sua situação de forma a celebrar a importância das bibliotecas escolares. Em Portugal, a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) escolheu o dia 27 de Outubro, como o Dia da Biblioteca Escolar.
A nossa Biblioteca assinala este Mês com a realização de diversas iniciativas que se espera muito participadas.

Vamos LER! Vamos à Biblioteca!


«Aqui está o convite para uma viagem
– uma viagem com os livros, os filmes e a música, o multimédia e a internet.
O cais de embarque está bem pertinho, na biblioteca da escola, na biblioteca pública.
Escolham o que mais vos agradar e partam à aventura. (…)
Descubram as maravilhas do mundo real e do mundo da fantasia.
Aprendam e sonhem. Divirtam-se, divirtam-se muito!
Ah, como é bom viajar assim, faça sol ou faça chuva, haja ou não haja dinheiro na algibeira para gastar.
Ah, como é bom ir à biblioteca!»

Luísa Ducla Soares