Sala de leitura individual

Aqui podes ler um bom livro!

Exposições

A BE também é um espaço de exposições.

Representação

Na BE é possível assistir a uma boa peça de teatro.

Novas tecnologias

Na BE também se pode utilizar as novas tecnologias da informação e comunicação.

Ouvir música

A BE ajuda a ocupar bem os tempos livres.

Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens

6 de junho de 2012

Noites enCantadas

Chegou o dia do nosso sarau de música e poesia. Às 21h30, sem qualquer atraso, começa o Noites enCantadas.


21 de março de 2012

Dia Mundial da Poesia

Hoje, o programa da Semana da Leitura destaca a poesia.


8 de dezembro de 2009

O 8 de Dezembro e Florbela Espanca

"Eu sou a que no mundo anda perdida"

Foi a 8 de Dezembro (1894) que Florbela Espanca nasceu e foi também a 8 de Dezembro que se casou, pela primeira vez. Foi ainda a 8 de Dezembro (1930) que aos 36 anos pôs termo à vida e ao enorme sentimento de solidão e abandono que lhe foi consumindo a atribulada existência: "De mim ninguém gosta, de mim nunca ninguém gostou...".

De temperamento ardente, Florbela Espanca iniciou-se cedo na poesia, com a mesma tristeza e amargura com que foi desfolhando os magros dias que viveu: "Aos oito anos já fazia versos, já tinha insónias e já as coisas da vida me davam vontade de chorar."
Cultivou o soneto com perícia e em 1919 saiu a lume o seu primeiro livro de poesia, "Livro de Mágoas". Em 1923 vê publicado o "Livro de Soror Saudade" e no ano da sua morte "Charneca em Flor".

Florbela Espanca, por ela própria:
"Eu digo-lhe já como são meus cabelos e meus olhos: os cabelos são negros, mas ainda assim nem tanto quanto a minha alma, pelo menos com o vestido que traz hoje; e os olhos são pardos, sombrios, profundos e maus. Sou pálida, alta e delgada..."

"Vou descrever-lhe desde já meu péssimo carácter: sou triste, imensamente triste, duma tristeza amarga e doentia que a mim própria me faz rir às vezes. É só disto que eu rio, e aqui tem V.Exa. no carácter uma sombra negra, enorme, medonha: a hipocrisia!..."
"...Não conto a ninguém esta tristíssima inferioridade de me sentir exilada de toda a alegria sã, franca; não mostro a ninguém a miséria de inadaptável, de insaciada..."

7 de dezembro de 2009

Recordando Ary dos Santos

O poeta Ary dos Santos, conhecido do grande público como autor de poemas para canções, nasceu a 7 de Dezembro de 1936.
Recordamo-lo, hoje, num poema de homenagem aos resistentes anti-fascistas, lido por ele mesmo.


30 de novembro de 2009

Fernando Pessoa: 75 anos de Mensagem

Ainda ontem te falámos de Pessoa, mas ele é inesgotável...

Hoje, comemoram-se os 75 anos da publicação de Mensagem, de Fernando Pessoa a única obra em língua portuguesa que veio a lume em vida do poeta. O livro foi composto durante um período de mais de vinte anos, entre 1913 e 1934 , o que o consagra como o trabalho de uma vida.

Mensagem é um poema de forte carga simbólica, composto por 44 poemas, que conduz o leitor através do percurso da nação portuguesa. A obra está divida em três partes: "Brasão", onde se canta a fundação e a construção da nacionalidade e se glorificam os seus heróis e os seus mitos, "Mar Português", assente no esplendor de Portugal do período áureo dos Descobrimentos e "O Encoberto" um entrelaçar entre o auge e o declínio, a derrota e a esperança.
Mensagem termina com a exclamação "É a hora!", um apelo à construção do Império do futuro, o Quinto Império, que se encontra para além do material, desligado do espaço e do tempo reais: uma Índia nova, que não há, para onde só se viaja em naus construídas daquilo que os sonhos são feitos
O poema Mensagem não está tão longe de ti, como poderás pensar. Quando citas frases como “Tudo vale a pena se a alma não é pequena” ou “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”, estás precisamente a evocar Mensagem. Se pretendes contextualizar esses versos no universo da obra, vai à Biblioteca que Mensagem está lá, à espera que a leias.
Ouve, também, um poema de Mensagem, sem duvida o mais conhecido: O Mostrengo, declamado por João Vilaret.



29 de novembro de 2009

Fernando Pessoa

"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens." Fernando Pessoa, O Eu Profundo

Quando morreu a 30 de Novembro de 1935, poucos faziam ideia da verdadeira grandeza literária de Fernando Pessoa. O seu nome foi crescendo à medida que foi passando o tempo, após a sua morte, e depois da descoberta de uma simples arca de madeira de onde foram emergindo, como que por magia, milhares de inéditos, manuscritos ou dactilografados, que ultrapassaram todas as expectativas, tanto pela quantidade e qualidade como pela variedade de temas, géneros e estilos.
Hoje, é considerado o maior poeta da língua portuguesa ao lado de Luís de Camões e o seu nome é importante em todo o mundo. Em vida, publicou apenas um livro, Mensagem, e semeou alguns versos e polémicas nos jornais e em revistas literárias. No entanto, a vida do poeta foi dedicada a criar e, de tanto criar, criou outras vidas, desdobrando-se em múltiplos poetas, dando corpo e voz a diferentes estilos e visões do mundo, através de mais de setenta “personalidades fictícias” que atingiram o auge com o assombroso quarteto que haveria de transformar a história da literatura portuguesa: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares, cada um, só por si, merecedor de figurar em qualquer cânone da poesia mundial.

Fernando Pessoa nasceu a 13 de Junho de 1888 numa familia de ascendência "misto de fidalgos e judeus", que prezava a arte e a cultura. Aos sete anos, em virtude do segundo casamento da mãe, foi viver para Durban, África do Sul, onde passou a juventude e teve exigente educação anglófila. Regressou definitivamente a Portugal em 1905 e frequentou a Faculdade de Letras sem, porém, nunca ter terminado o curso. Trabalhou em profissão cuja "designação mais própria será "tradutor", a mais exacta a de "correspondente estrangeiro" em casas comerciais. O ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação", segundo o próprio. Ao longo da vida conheceu-se-lhe uma única relação amorosa que não vingou porque o seu destino "pertence a outra Lei… a minha vida gira em torno da minha obra literária – boa ou má, que seja, ou possa ser.”

Apesar do porto seguro que sempre teve no seio da família, Pessoa viveu em constante desassossego espiritual e afectivo, atormentado por sucessivas crises de depressão: "Doi-me a vida aos poucos, a goles..."

A solidão e a bebida, companheiras cada vez mais frequentes, iam-lhe minando o espírito e o corpo, "cada vez mais perto do mito, cada vez menos perto de mim".

“I know not what tomorrow will bring” ou “Eu não sei o que o amanhã trará”, foi a última frase escrita pelo poeta, na véspera da sua morte.

Hoje, volvidos 74 anos da morte de Fernando Pessoa, curvamo-nos perante a sua genialidade e convidamos-te a ti, também, a prestar-lhe homenagem ouvindo o Poema do Menino Jesus de Alberto Caeiro/Fernando Pessoa, pela voz de Maria Bethania.

26 de novembro de 2009

"Balada da Neve"

O poeta Augusto Gil morreu a 26 de Novembro de 1929.
Recordámo-lo, com nostalgia, em “Balada da Neve”, um dos mais célebres poemas da literatura portuguesa e que, ao longo do tempo, tem enternecido sucessivas gerações de crianças.
Talvez tu o queiras decorar e, quem sabe, recitá-lo na festa de Natal da escola.


NB - para ouvires a música e veres automaticamente o powerpoint deves clicar na seta verde que está ao centro da barra de comandos do slideshow. Para leres melhor (em ponto maior), podes clicar no último ícone da mesma barra de comandos (Full Screen).

15 de novembro de 2009

Dia Nacional da Língua Gestual

Comemora-se hoje o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa (LGP) que tem o seu alfabeto manual.



A quem vive nesse "mundo do silêncio" dedicamos, hoje - dia da língua gestual, o poema "As Mãos", de Manuel Alegre.

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.


Um video (apesar de publicitário) fantástico...

25 de outubro de 2009

POEMA da SEMANA

Bucólica

A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra duma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma Mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga

18 de outubro de 2009

POEMA da SEMANA

O "Poema da Semana" desta semana é dedicado às meninas e aos meninos do 5ºano que continuam "À Descoberta da Biblioteca".


Não saibas: imagina...

Não saibas: imagina...
Deixa falar o mestre, e devaneia...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.


Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões...
Um a-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...
Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorria!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias da fantasia...


Miguel Torga

16 de outubro de 2009

Adriano Correia de Oliveira

Adriano Correia de Oliveira morreu a 16 de Outubro de 1982, mas a sua voz não se calou. Recordámo-lo num poema de exílio e resistência de Manuel Alegre, “Trova do Vento que Passa".

11 de outubro de 2009

Poema da Semana

O poema desta semana é dedicado às meninas e aos meninos do 5º ano que durante esta semana vão partir "À Descoberta da Biblioteca".




A Mão Cheia de Sonhos

- Raul,
Que trazes na mão fechada?
- Trago sonhos, professor,
Que respeito com muito amor!
Sonhos, que lindos que são.
São sonhos que trago na minha mão.

- Serão berlindes de vidro
Ilusão de encantar?
- Deixa-me ver, Raul,
Eu também quero sonhar…

E abrindo os dedos,
Na palma da mão
Um grilinho empertigado
Ajeitou-se e cantou a canção:
Grigri! Gigri!

- Oh! São sonhos, Raul,
Lá isso é que são,
São sonhos que trazes na tua mão.


Armindo Reis, A Mão Cheia de Sonhos

4 de outubro de 2009

Poema da semana

O SONHO

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama

28 de setembro de 2009

Poema da Semana

Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».



«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!



«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)


«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.



«Amigo» é a solidão derrotada!


«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O’Neill,
in No Reino da Dinamarca

22 de setembro de 2009

Jorge de Sena regressou à Pátria



“Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de ter nascido nela.”

Três décadas depois da sua morte, o escritor Jorge de Sena foi sepultado no dia 11 de Setembro, no cemitério dos Prazeres, em Lisboa. A cerimónia de trasladação dos restos mortais do escritor, que morreu em 1978 nos Estados Unidos, decorreu na Basílica da Estrela e contou com intervenções da família, do ensaísta Eduardo Lourenço, do ex-presidente da República Ramalho Eanes, do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro. Para o ministro da Cultura tratou-se de "sarar uma ferida aberta pela ditadura".
Poeta, dramaturgo, romancista, crítico e ensaísta, Jorge de Sena nasceu em Lisboa a 2 de Novembro de 1919. Por razões políticas, partiu para o exílio, em 1959, vivendo primeiro no Brasil e posteriormente nos EUA. “Saímos para ele escrever sem pensar nos limites que lhe eram impostos”, como explica sua mulher, Mécia de Sena.

Um país de sacanas


Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.

(Jorge de Sena, in No País dos Sacanas -1973)

20 de outubro de 2008

Vamos LER! Vamos à Biblioteca!


«Aqui está o convite para uma viagem
– uma viagem com os livros, os filmes e a música, o multimédia e a internet.
O cais de embarque está bem pertinho, na biblioteca da escola, na biblioteca pública.
Escolham o que mais vos agradar e partam à aventura. (…)
Descubram as maravilhas do mundo real e do mundo da fantasia.
Aprendam e sonhem. Divirtam-se, divirtam-se muito!
Ah, como é bom viajar assim, faça sol ou faça chuva, haja ou não haja dinheiro na algibeira para gastar.
Ah, como é bom ir à biblioteca!»

Luísa Ducla Soares

4 de maio de 2008

DIA DA MÃE


POEMA À MÃE

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

25 de abril de 2008

25 Abril - Dia da Liberdade


A 25 de Abril de 1974 ruiu, num só dia, um regime de quarenta e oito anos, ditatorial e repressivo. Nunca é de mais recordar essa data e a palavra dos poetas que a cantaram.

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

Foram dias foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía
com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia
na esperança de um só dia.
Manuel Alegre

Portugal Ressuscitado

Depois da fome, da guerra
da prisão e da tortura
vi abrir-se a minha terra
como um cravo de ternura.

Vi nas ruas da cidade
o coração do meu povo
gaivota da liberdade
voando num Tejo novo.
(…)
Nunca mais nos curvaremos
às armas da repressão
somos a força que temos
a pulsar no coração.

Enquanto nos mantivermos
todos juntos lado a lado
somos a glória de sermos
Portugal ressuscitado.

Agora o povo unido
nunca mais será vencido
nunca mais será vencido.

José Carlos Ary dos Santos

14 de março de 2008

POETA


Poeta, sim, poeta...
É o meu nome.

Um nome de baptismo
Sem padrinhos...

O nome do meu próprio nascimento...
O nome que ouvi sempre nos caminhos
Por onde me levava o sofrimento...

Poeta, sem mais nada.
Sem nenhum apelido.
Um nome temerário,
Que enfrenta, solitário,
A solidão.
Uma estranha mistura
De praga e de gemido à mesma altura.

Miguel Torga

13 de março de 2008

ESTA GENTE


Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

(…)
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen