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25 de outubro de 2009

POEMA da SEMANA

Bucólica

A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra duma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma Mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga

18 de outubro de 2009

POEMA da SEMANA

O "Poema da Semana" desta semana é dedicado às meninas e aos meninos do 5ºano que continuam "À Descoberta da Biblioteca".


Não saibas: imagina...

Não saibas: imagina...
Deixa falar o mestre, e devaneia...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.


Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões...
Um a-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...
Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorria!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias da fantasia...


Miguel Torga

14 de março de 2008

POETA


Poeta, sim, poeta...
É o meu nome.

Um nome de baptismo
Sem padrinhos...

O nome do meu próprio nascimento...
O nome que ouvi sempre nos caminhos
Por onde me levava o sofrimento...

Poeta, sem mais nada.
Sem nenhum apelido.
Um nome temerário,
Que enfrenta, solitário,
A solidão.
Uma estranha mistura
De praga e de gemido à mesma altura.

Miguel Torga

14 de novembro de 2007

RECORDANDO TORGA NO CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO

Apesar de Miguel Torga não valorizar prémios, recebeu vários ao longo da sua vida literária. Numa das cerimónias em que lhe entregaram um desses galardões, Torga, ao usar da palavra, contou a seguinte parábola.
"Quando fiz exame da quarta classe e fiquei distinto, meu Pai, um pobre cavador sensível, chorou de alegria e comprou-me um cavaquinho no Bazar dos Três Vinténs. Foi a primeira prenda que recebi, mas, apesar de merecida, deixou-me tristes recordações. Tanto dedilhei na zanguizarra, que lhe rebentei as cordas. E, já desanimado de arranjar outras, lembrei-me de recorrer ao Xaronda, dono de uma guitarra a valer. Com restos dos bordões que por lá tivesse, poderia eu refazer a minha lira. Mas o homem não gostava de crianças. E, farto de ser importunado, numa hora de impaciência tirou-me a viola das mãos e escaqueirou-a contra uma parede. Decorridos cinquenta anos de sucessivas ilusões desfeitas, fui surpreendido pela notícia de que me queriam oferecer um novo bandolim.

13 de novembro de 2007

CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE MIGUEL TORGA



APONTAMENTO BIOGRÁFICO
Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, nasceu em S. Martinho de Anta, pequena aldeia de Trás-os-Montes, a 12 de Agosto de 1907, no seio de uma família humilde de gente do campo. Após a conclusão da 4ª classe “com distinção”, o pai diz-lhe: “Tens de escolher... aqui não te quero. Por isso resolve: ou o seminário de Lamego ou Brasil.” Depois de uma breve passagem pelo Porto, como criado de servir, ingressou no seminário de Lamego, donde saiu pouco depois. Em 1920, com 13 anos, emigrou para o Brasil, para trabalhar na fazenda de um tio. Regressou a Portugal em 1925 e, com a ajuda financeira do tio brasileiro, partiu para Coimbra, para estudar. Concluiu em três anos os sete de liceu e frequentou, depois, a Faculdade de Medicina onde concluiu o curso em 1933. Ainda estudante, publicou o seu primeiro livro de poemas, "Ansiedade". Em 1934, com a publicação do ensaio “A Terceira Voz”, assinou pela primeira vez como Miguel Torga, o pseudónimo literário que manteria ao longo de toda a sua vida. É vasta e multifacetada a produção literária de Torga: contos, romances, ensaios, peças de teatro, mais de 50 obras publicadas, muitas das quais traduzidos nas principais línguas de todo o mundo, incluindo o chinês. É, porém, na sua condição de poeta que se reconhece: “Poeta, sim poeta.../É o meu nome.” Avesso a honrarias e distinções, ganhou quantos prémios havia para ganhar, no campo da literatura e foi duas vezes nomeado como candidato ao Prémio Nobel. Miguel Torga morreu em Janeiro de 1995, tendo sido sepultado em S.Martinho de Anta, a aldeia que o tinha visto nascer 87 anos antes.